A Índia é um
universo de culturas, tão grande é a diversidade dentro do país que existem
realidades completamente diferentes e até mesmo contraditórias. É algo que
impressiona o mundo todo, especialmente ao antropólogo.
Talvez seja um
ponto conhecido pela maioria, mas mesmo assim vale mencioná-lo, o cumprimento
típico do país “Namastê” que quer dizer o Deus que está em mim cumprimenta o
Deus que está em você. Logo percebemos a aceitação pacífica da diferença de
credo entre os indianos, fato muito interessante tendo em vista que em regra o
mundo rejeita a religião diferente.
Falando de
crenças o hinduísmo é a religião mais popular do país, seguida pelo islamismo o
qual tem crescido bastante nos últimos tempos.
Na Índia
acredita-se na “Lei do Carma” que grosso modo defende a ideia de que aquilo que
se deseja e se faz para os outros retorna para nós.
A organização
da sociedade se dá por meio de castas, mesmo tendo sido abolida pelo governo
quando da independência, provavelmente o sistema resiste até hoje por ter sua
base na vontade divina. Deus me quis pobre porque em outros tempos irá me
recompensar, ou estou nesta condição porque fui muito ruim em outra vida, mas
se eu aceitar terei meu prêmio no futuro.
Os Brâmanes,
sacerdotes, estão no topo da pirâmide social indiana. Juntamente com a elite
existem os Xátrias, e mais abaixo os comerciantes. Fora da sociedade
encontram-se os intocáveis, recentemente chamados de Dálits. Estes sequer são
considerados pessoas, segundo o hinduísmo, surgiram da poeira dos pés dos
Deuses, são tão desprezíveis que devem ser segregados de todo o resto. Vivem na
miséria e abandono, felizmente a realidade está mudando, mas o processo é longo.
A sociedade
está divida em castas como já foi mencionado, e o critério utilizado é o
nascimento. Não há nesse sistema nenhuma espécie de ascensão social tampouco
relacionamentos entre membros de grupos diferentes.
Recentemente
estão surgindo melhorias para os miseráveis, como a concessão de bolsas de
estudo para que consigam se formar, o que durante muito tempo só foi possível
para membros da elite. O tratamento dado as intocáveis também está mudando.
Jovens da alta classe ao estudarem fora do país e conhecerem outras culturas
estão mudando sua visão sobre o povo. Quando formados, alguns retornam à Índia
e atendem, em suas áreas, pessoas carentes.
Outro ponto
interessante da cultura indiana é o tratamento dado a mulher. Diferentemente do
que vemos no Brasil a mulher é vista como um objeto, e um objeto indesejável
para a própria família. Pode-se dizer isso com base no fato de que a filha
mulher sempre é preferida quando necessário sacrificar algum dos descendentes.
Sendo apenas
um objeto, a mulher pouco pode fazer senão aceitar sua “vida” e concluir sua
missão, qual seja, casar-se. Surge assim outro problema, tão desvalorizada como
é a mulher não é querida nem mesmo por seu futuro marido, até porque casamentos
por lá são acertos entre famílias. Mas não para por aí, os pais da noiva devem
ao noivo uma indenização para que este aceite sua filha. Sem contar que todos
os gastos com a cerimônia e festa correm por conta da família da noiva.
Até pouco
tempo atrás não era possível o divórcio entre os hindus. Mas como tudo se copia
no mundo de hoje e as necessidades exigiram, os indianos copiaram o modelo de
separação dos muçulmanos. Funciona mais ou menos assim, o homem frente a mulher
perante duas testemunhas diz três vezes – Te rejeito! Te rejeito! Te rejeito!
Dissolve-se assim o casamento. Importante dizer que só o homem pode tomar essa
atitude. Caso haja desejo de reconciliação é necessário que antes, a mulher se
case de novo.
Como o assunto
é amor não podemos esquecer o Taj Mahal, que é o maior e mais belo túmulo já
construído pela humanidade. A maravilha arquitetônica foi criada em homenagem à
segunda esposa do imperador, a qual morreu ao dar a luz ao décimo quarto filho
do casal.
Podemos
observar que a Índia é um país riquíssimo culturalmente e que em poucas palavras
já descrevemos um mundo avesso ao nosso. Isso para a antropologia é fantástico,
é um paraíso para estudos. É importante destacar que embora muito diferente de
nós e da maior parte do mundo ocidental a cultura indiana não é melhor nem pior
do que a nossa. Cada civilização possui valores próprios que devem ser
respeitados a medida do possível, basta lembrar também que existem sociedades
diferentes, em diferentes estados evolutivos.
José Maria Roque Junior, acadêmico de Direito na FADIVA (Faculdade de Direito de Varginha)
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