domingo, 18 de maio de 2014

A Índia no âmbito cultural

A Índia é um universo de culturas, tão grande é a diversidade dentro do país que existem realidades completamente diferentes e até mesmo contraditórias. É algo que impressiona o mundo todo, especialmente ao antropólogo.
Talvez seja um ponto conhecido pela maioria, mas mesmo assim vale mencioná-lo, o cumprimento típico do país “Namastê” que quer dizer o Deus que está em mim cumprimenta o Deus que está em você. Logo percebemos a aceitação pacífica da diferença de credo entre os indianos, fato muito interessante tendo em vista que em regra o mundo rejeita a religião diferente.
Falando de crenças o hinduísmo é a religião mais popular do país, seguida pelo islamismo o qual tem crescido bastante nos últimos tempos.
Na Índia acredita-se na “Lei do Carma” que grosso modo defende a ideia de que aquilo que se deseja e se faz para os outros retorna para nós.
A organização da sociedade se dá por meio de castas, mesmo tendo sido abolida pelo governo quando da independência, provavelmente o sistema resiste até hoje por ter sua base na vontade divina. Deus me quis pobre porque em outros tempos irá me recompensar, ou estou nesta condição porque fui muito ruim em outra vida, mas se eu aceitar terei meu prêmio no futuro.
Os Brâmanes, sacerdotes, estão no topo da pirâmide social indiana. Juntamente com a elite existem os Xátrias, e mais abaixo os comerciantes. Fora da sociedade encontram-se os intocáveis, recentemente chamados de Dálits. Estes sequer são considerados pessoas, segundo o hinduísmo, surgiram da poeira dos pés dos Deuses, são tão desprezíveis que devem ser segregados de todo o resto. Vivem na miséria e abandono, felizmente a realidade está mudando, mas o processo é longo.
A sociedade está divida em castas como já foi mencionado, e o critério utilizado é o nascimento. Não há nesse sistema nenhuma espécie de ascensão social tampouco relacionamentos entre membros de grupos diferentes.
Recentemente estão surgindo melhorias para os miseráveis, como a concessão de bolsas de estudo para que consigam se formar, o que durante muito tempo só foi possível para membros da elite. O tratamento dado as intocáveis também está mudando. Jovens da alta classe ao estudarem fora do país e conhecerem outras culturas estão mudando sua visão sobre o povo. Quando formados, alguns retornam à Índia e atendem, em suas áreas, pessoas carentes.
Outro ponto interessante da cultura indiana é o tratamento dado a mulher. Diferentemente do que vemos no Brasil a mulher é vista como um objeto, e um objeto indesejável para a própria família. Pode-se dizer isso com base no fato de que a filha mulher sempre é preferida quando necessário sacrificar algum dos descendentes.
Sendo apenas um objeto, a mulher pouco pode fazer senão aceitar sua “vida” e concluir sua missão, qual seja, casar-se. Surge assim outro problema, tão desvalorizada como é a mulher não é querida nem mesmo por seu futuro marido, até porque casamentos por lá são acertos entre famílias. Mas não para por aí, os pais da noiva devem ao noivo uma indenização para que este aceite sua filha. Sem contar que todos os gastos com a cerimônia e festa correm por conta da família da noiva.
Até pouco tempo atrás não era possível o divórcio entre os hindus. Mas como tudo se copia no mundo de hoje e as necessidades exigiram, os indianos copiaram o modelo de separação dos muçulmanos. Funciona mais ou menos assim, o homem frente a mulher perante duas testemunhas diz três vezes – Te rejeito! Te rejeito! Te rejeito! Dissolve-se assim o casamento. Importante dizer que só o homem pode tomar essa atitude. Caso haja desejo de reconciliação é necessário que antes, a mulher se case de novo.
Como o assunto é amor não podemos esquecer o Taj Mahal, que é o maior e mais belo túmulo já construído pela humanidade. A maravilha arquitetônica foi criada em homenagem à segunda esposa do imperador, a qual morreu ao dar a luz ao décimo quarto filho do casal.

Podemos observar que a Índia é um país riquíssimo culturalmente e que em poucas palavras já descrevemos um mundo avesso ao nosso. Isso para a antropologia é fantástico, é um paraíso para estudos. É importante destacar que embora muito diferente de nós e da maior parte do mundo ocidental a cultura indiana não é melhor nem pior do que a nossa. Cada civilização possui valores próprios que devem ser respeitados a medida do possível, basta lembrar também que existem sociedades diferentes, em diferentes estados evolutivos.
José Maria Roque Junior, acadêmico de Direito na FADIVA (Faculdade de Direito de Varginha)

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