segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estudo simples sobre o regime democrático

DEMOCRACIA
TERMO CONTROVERSO
Darcy Azambuja ensina que democracia é o termo mais controverso de todo o vocabulário político. Seja por sua idade avançada, são mais de 2500 anos desde a primeira utilização do termo, seja pelas diferentes formas adotadas em diferentes Estados.
Em todo o globo podem ser encontradas democracias diversas, tão diferentes entre si que algumas inclusive se contradizem. Surge então a dificuldade em conceituar este termo que ganhou enorme importância a partir do século passado, especialmente em virtude da indignação popular contra os regimes totalitários que se instalaram.
A partir da origem da palavra não encontramos uma resposta condizente com a realidade, pois Demo, do grego, quer dizer povo e Cracia, também do grego, significa poder. Mas o povo não está no poder, o povo não exerce poder, o povo não detém o poder no modelo democrático atual. Pelo menos não diretamente como sugere esta definição.
Nem mesmo na própria Grécia, o povo como entendido hoje, exercia o poder. Excluíam-se escravos, mulheres, crianças e estrangeiros. Somente os homens atenienses que compunham a elite social participavam da vida política.
Seguindo o entendimento de hoje esse modelo grego não é nada democrático, embora naquela época fosse. Mas por quê? Por que o “povo” exercia o poder, todo o povo participava, mesmo que a noção de povo fosse diferente da que temos hoje.
Como não é possível entender a democracia contemporânea a partir da origem do termo, alguns estudiosos passam a caracterizá-la de acordo com a realidade que observam. Enquanto outros buscam apresentar a democracia ideal, aquela que ainda não se instalou, que se encontra no plano das ideias, que é utópica.
Vimos então que é uma tarefa árdua conceituar democracia, portanto o que se pode fazer é observar algumas de suas formas e instrumentos comuns os quais veremos adiante.
MODELOS DEMOCRÁTICOS
DEMOCRACIA DIRETA
Voltamos à Grécia antiga para analisar a democracia direta. Mas antes de mais nada devemos entender o que é esse modelo.
Por democracia direta entende-se como aquela em que o povo toma decisões sem o intermédio de representantes, ou seja o povo se reúne em praça pública, Ágora no caso da Grécia, onde discutem e decidem sobre tudo.
Embora a primeira vista pareça ser a face mais bela da democracia não devemos nos enganar. Vou explicar o motivo. Mesmo que todas as decisões fossem tomadas pelo povo, que “qualquer um” tivesse direito a palavra, nem tudo era da forma como o povo gostaria.
Primeiramente toda matéria discutida pelo povo deveria ter sido previamente aprovada pelo conselho dos quinhentos, uma espécie de parlamento, geralmente composto pelos anciões do grupo. Além disso não era admitido projeto que contrariasse os mandamentos da Igreja, ou bons costumes, ou ainda a moral daquele grupo.
Após essa análise é possível entender que de fato o sistema não era tão democrático, não era realmente a vontade do povo que norteava o processo político.
Explico agora porque destaquei a expressão “qualquer um” no trecho anterior. Na verdade não era qualquer um que poderia tomar a palavra perante o povo, havia um série de requisitos a serem cumpridos, tais como: Ser casado, não dever nada ao tesouro, ter bons costumes, respeitar os pais, ser uma pessoa boa, nunca ter fugido de uma batalha entre outros. Então além do grupo que se reunia ser restrito em relação a população total, o número de pessoas com direito à voz era ainda menor.
Apesar de tudo, para alguns este ainda é o melhor modelo democrático. Mas no mundo contemporâneo não passa de um sonho, é impossível seguir esta forma em Estados tão populosos como os de hoje. Como poderiam se reunir os mais de 130 milhões de eleitores brasileiros num mesmo local? Na Grécia antiga haviam cidades-estados, ou seja eram realmente cidades, com uma população e território pequenos. Por isso foi possível a democracia direta.
DEMOCRACIA INDIRETA
Surgiu como resposta aos regimes absolutistas que vigoraram durante boa parte da idade média.
A figura do monarca absoluto não agradava a ninguém, o povo queria o direito de escolher livremente quem os representaria, por meio do voto. Foi um período conturbado em meio à guerras e revoluções em todo o cenário mundial.
Ainda não estamos falando do modelo atual, pois neste a representação era absoluta ou seja, o povo só era consultado nas eleições. Não haviam instrumentos de consulta popular como o referendo e outros, os quais serão tratados a seguir.
DEMOCRACIA SEMIDIRETA
Uma aproximação ao modelo inicial com traços fundamentais da representação é a democracia semidireta.  Trata-se de uma forma de governo em que o povo periodicamente elege representantes, por meio do voto secreto e universal.
Mas a participação popular não se encerra no pleito como ocorre na forma indireta. Além de votar o povo deve ser consultado em outros casos, normalmente previstos pela constituição do país. Dentre os instrumentos típicos deste regime podemos citar:
Referendo consultivo ou plebiscito, que consiste em consultar a opinião pública como condição de prosseguimento dos trâmites legais. Ocorre, portanto, antes de deliberação do órgão legislativo.
Referendo deliberativo ou referendo, ocorre como forma de analisar a aprovação popular acerca de determinada norma já aprovada pelo legislativo.
Iniciativa popular, consiste no direito do povo propor ao legislativo algum projeto de lei, ou de exigir que se edite norma sobre alguma matéria.
Veto popular, nesse caso o povo pode vetar uma lei já em vigor, que foi aprovada sem a necessidade de consulta popular. Diferencia-se do referendo pois este prescinde de convocação pela autoridade pública.

Recall: Este é um instrumento do governo americano que permite ao povo destituir membros eleitos se não estiverem atuando de acordo com o esperado. É possível ainda anular decisões judiciais.

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